Entrevista Soraya Roberta

Soraya Roberta

Nascida em 1995 em solo Potiguar, das terras de Jardim do Seridó, Soraya escreve crônicas, csorayaontos e poesia desde os 7 anos de idade. Em 2012, após entrar para o curso Técnico Integrado em Informática, pelo IFRN-Caicó, teve a ideia de começar a escrever a Poesia Compilada. Atualmente é aluna do Bacharelado em Sistemas de Informação, bem como escreve para seu para o Mulheres na Computação, o pessoas.cc, Casa da Mãe Joanna, Inspirada na Computação e seu Manifesto Literário o Poesia Compilada

Perguntas:

  1. Como foi sua decisão quanto a que carreira seguir?

Eu já cursava um técnico integrado em Informática pelo IFRN-Caicó, mas não me motivava de forma alguma a seguir carreira na área porque só via que os meninos se “davam bem”.  Sabe, eu relutei muiiiiito até dizer que queria seguir carreira na área tecnológica, mas a primeira coisa que me motivou nessa escolha foi a participação em eventos de empoderamento da mulher na área tecnológica, como o Code Girl, além disso teve a minha entrada para o Mulheres na Computação onde eu pude pesquisar, entrevistar mulheres da área e vi que algumas delas já tinham passado pelo que eu estava passando. Depois disso eu não tive mais dúvidas de que ficar na área seria uma excelente opção.

  1. Depois de decidida, em algum momento você se sentiu intimidada por ter escolhido uma carreira predominantemente masculina?

Eu ouvia muito de alguns colegas e de até pessoas que nem me conheciam “olha, você tem cara de Humanas, não vai para Exatas que você vai se ferrar, só tem cálculo e mulher não e boa nisso…”. Isso acontecia muito porque eu sempre gostei muito de discutir sobre os problemas que estão ao meu redor, então, o pessoal não me via seguindo uma área dessa e com isso tentava justificar dizendo que o problema seria porque eu sou mulher e que, portanto, eu não saberia calcular. Tipo, algo totalmente preconceituoso e por isso eu me sentia intimidada, porque por ser mulher parece que a gente tem que ta provando a todo instante que é competente.

  1. Atualmente você ainda acha que a área de Computação tem pouco espaço para as mulheres?

Olha, esse cenário já foi bem mais alarmante, mas o que venho percebendo é que essa realidade ta começando a mudar, mesmo a passos lentos, mas já temos grupos de discussões sobre a presença da mulher na área tecnológica, e isso vem ficando mais  próximo da gente, como por exemplo as pages do Facebook, sites, grupos no wapp, diversos elementos que nos dão mais espaço.

  1. Você acha que as mulheres são desencorajadas a seguir carreira na Computação? Se sim, porque? Você alguma solução para isso?

Bem, temos vários motivos para isso, primeiro porque existe desde a infância a distinção entre o que é brinquedo de menino e de menina, por exemplo, quais são os pais que se sentem confortáveis em comprar um carrinho de controle remoto para uma menina brincar e que depois ela possa desmontar, fazer o que quiser com ele? Se eu falar isso para alguns pais eles vão dizer que comprariam, mas só para ela ver o irmão brincar, porque isso não é coisa para mulher fazer. Então, são discursos como esses que aparentemente não tem nenhuma implicação na escolha de uma profissão que futuramente irá dizer o que é profissão para menina e profissão para menino. Acredito que o deve ser feito é que quem realmente gosta da área, mas se sente desencorajada a seguir deva procurar participar desses fóruns de discussões, mostrar aos seus pais mulheres que são exemplo de sucesso na área e as várias possibilidades para seguir carreira tecnológica.

  1. Já ouvi meninas do ensino médio dizerem que se interessam por diferentes áreas de Exatas, mas que não sentem que nasceram com uma habilidade especial para a área. O que você diria a elas?

A primeira coisa que  penso é algo que sempre minha mãe falou “ninguém nasce sabendo falar, mas aos poucos vai aprendendo uma palavra, depois você já está palestrando”. Não acredito que para seguir carreira em exatas nós precisamos ter um poder super, mega, hiper heroico, pois é uma profissão como outra qualquer, mas alguns seres parecem que querem a todo custo dizer que “só serve para a área quem tem habilidade fora do comum”. Sabe, quando entrei em meu técnico de Informática eu não sabia qual era a diferença entre software e hardware, muito menos tinha ouvido a palavra algoritmo, e hoje eu já consigo projetar sistemas, configurar computadores, consertar computadores…Então, acho que o que mainha falava hoje tem muito haver com minha vida com a área tecnológica, agora que assim, para que isso acontecesse eu tive que me dedicar bastante, já perdi finais de semanas, não viajava nas férias, e até quando meu colégio teve greve eu tava lá estudando, justamente porque queria aprender, mas hoje já é mais relax, já viajo nas férias e tenho tempo até para namorar,risos.

  1. Qual seria seu conselho para as meninas que pensam em seguir essa carreira?

Estudem, tenham foco naquilo que vocês querem, não levem em consideração o que muitos possam te falar sobre sua capacidade de aprendizagem e acima de tudo comecem a estudar o Feminismo, porque o santo remédio receitado por Simone de Beauvoir em seu livro “O Segundo Sexo” sempre me fortalece e me concebe anticorpos para superar cada palavra com caráter patriarcal e preconceituoso.

  1. Como é a convivência com os homens nessa área tão masculina? Você já sofreu algum tipo de discriminação por ser mulher? E assédio?

Olha, quando eu fazia o técnico eu ouvi muitas frases desafiadoras do tipo “se enxerga, tu achas que vai conseguir finalizar este sistema? “ “Deixa que explico a parte técnica, tu ficas com a escrita, é mais cômodo para ti’, claro que eu não aceitava isso e sempre relutei ao máximo, mas nunca ouvi nem sofri algo como um assédio.

  1. Como começou sua participação no Mulheres na Computação?

Estava pesquisando uns assuntos relacionados a computação e mulheres atuando na área em 2012 quando conheci a Camila Achutti por meio do Mulheres. Depois disso ficava sempre acompanhando o blog, quando foi em 2014 descobri que haveria um evento por Natal,RN, falando sobre o empoderamento da mulher  na área tecnológica, o Code Girl. Nisso, eu soube que a Camila estaria palestrando e como eu estava com a camisa do meu Manifesto Literário o Poesia Compilada ela acabou vendo e achando bem legais o código em formato de Poesia.  Depois disso passaram-se alguns meses e como já tínhamos feito contato ela me chamou para escrever Poesias Compiladas e outros textos que achasse pertinente para o Mulheres.

O mercado de TI é bem amplo e podemos seguir diversas áreas, podemos trabalhar com Medicina, Direito, Filosofia, Sociologia, Biologia… Acredito que com um pouco de dedicação tudo é possível nesta área.

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