Sapatão e assediada.

Ser lésbica nunca foi fácil… Estamos em pleno século XXI e ainda não é!

Eu passei a fazer parte dessa “classe” há 6 anos atrás, quando eu me descobri, na época com 17 anos, de lá pra cá eu já consigo notar mudanças bem positivas, em questão a aceitação das pessoas, porém, ainda existe muito preconceito que precisa ser desconstruído por aí a fora!

Eu realmente não consigo entender como o meu amor pode incomodar tantas pessoas. A partir do momento que eu me assumi parei de me importar com o que as pessoas pensavam ou sentiam, sabia e sei que meu amor não deve ser motivo para vergonha e não faz mal, portanto não preciso esconder e não o faço, normalmente as pessoas sabem ao me olhar e elas olham mesmo!

Por mais que me afete menos o desafeto dos demais, ainda falta muito para eu ter meu completo espaço. Esse assunto ainda é um tabu e é bem menos falado.

O fato de duas mulheres juntas ser considerado sexy para muitos, estes se sentem no direito de querer “participar” do relacionamento alheio. Eu já cansei de ouvir que ainda sou lésbica porque nenhum homem me pegou direito, ou perguntam se podem participar, nem que seja ficar apenas olhando, as pessoas se sentem no direito de invadir a minha intimidade sem ao menos me conhecer.

O preconceito não vem apenas do sexo oposto. Muitas mulheres acham que por eu ser lésbica vou olhá-las nos banheiros, ou querer ficar com toda mulher que eu vejo pela frente. Isso é um absurdo! A sociedade tende a ser preconceituosa com aquilo que está “fora da casinha”.

Pedi para uma amiga descrever o ponto de vista dela sobre o assunto e:

“Ficamos noivas em Paris. Sem alarde, em um cantinho da Disney. Ninguém ficou de joelhos, para não “chocar” as crianças. Na Torre Eiffel seria muito indiscreto. No dia seguinte, no jardim da Torre, vimos um rapaz pedindo a namorada em casamento. No metrô, quandolesbicas estávamos de mãos dadas ou abraçadas, as pessoas nos olhavam e entortavam os lábios.

Quando voltamos para o Brasil, não foi diferente. Nossa vida seguiu a mesma: evitamos nos abraçar e beijar em público, ainda mais quando estamos sozinhas. Um casal de conhecidas foi estuprada por homens que achavam que, assim, iria “corrigi-las”. Sempre penso nisso.

No Carnaval, três homens pararam minha namorada e a parabenizaram por namorar comigo – como se eu fosse algo a alcançar ou um troféu.

Uma amiga trabalha em uma casa de shows de São Paulo e, quando somos convidadas para ir a algum show, evitamos ficar de mãos dadas. Às vezes olho outros casais e sinto inveja. Só nos sentimos a vontade em bares gays. Logo quando começamos a namorar, estávamos em um bar comum. O garçom me chamou de canto e disse que não poderíamos ficar ali, porque aquele era “um bar de família” – como se nós não tivéssemos família ou não pudéssemos ter uma. Na hora de pagar a conta, porém, aceitaram nosso dinheiro de “sapatão”.

O preconceito é sutil. Ele vem em um revirar de olhos, comentários, esbarrões. Graças a Deus nunca sofremos nenhum tipo de violência física – mas ela permeia em nossos pensamentos o tempo todo, em cada beijo, abraço ou entrelaçar de mãos que ocorre fora de casa.”

 

Eu não faço questão de que todos me aceitem e me amem.. Mas faço sim questão de respeito, exatamente do jeito que respeito qualquer outra pessoa. 

Jadyna Bazaan

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